VIP - O futebol de praia é um desporto recente, mas o Madjer já arrecadou dois prémios individuais. Que percurso é que teve para aqui chegar?
Madjer - Comecei no futebol de 11, nas camadas jovens do Estoril, mas um acidente de mota, aos 17 aqnos, fez-me perder o "comboio" e acabei por deixar a modalidade de lado. Um convite do Carlos Xavier, que eu já conhecia há imenso tempo, fez-me entrar no futebol de praia e passei a integrar este projecto.
Um projecto que já deu inclusive frutos junto da FIFA. Foi difícil criar uma modalidade nova?
Acho que ninguém imagina o que lutámos e sofremos para fazer do futebol de praia uma modalidade respeitada. Foi uma grande vitória, dos mais antigos, como eu, o Alan, o Hêrnani e o Zé Miguel.
Segundo o melhor jogador do mundo, consegue viver apenas do futebol de praia?
Agora tem que dar. Não faço mais nada além de me concentrar na modalidade. Já estive ligado a vários sectores de actividade, o sector dos créditos foi o último mas o reconhecimento da Federação obrigou-me a virar a 100 por cento para o futebol de praia.
Jogar na praia é uma actividade sazonal. Como é que dá a volta à questão?
Temos que tirar partido do estatuto que temos. Felizmente têm surgido vários convites de campeonatos de outros países, inclusive para jogar futevólei, e graças a isso vamos tirando proveito da modalidade.
Há uns tempos tentou o regresso ao futebol de . Foi uma aposta fracassada?
Não. Fui ao Vitória de Guimarães treinar à experiência e tenho muito a agradecer-lhes, porque me deram uma oportunidade para voltar a tentar. Mas a verdade é só uma: se estivesse no futebol de 11 não tinha esta notoriedade. Nem fazia da praia, um local onde tanto eu como a maioria das pessoas gosta de estar, o meu escritório.
Não deve ser fácil jogar na areia solta com temperaturas tão elevadas....
E não é. Também tem contras como treinar na praia, todos os dias, no pico do Inverno. Não é agradável confesso.
Quando tem férias, como é que faz? Foge para a neve?
Também é uma das minhas paixões. Mas por vezes a época acaba e ainda dá para fazer praia com os amigos.
Costuma desafiá-lo para uma "futebolada"?
Recuso-me a jogar. Futebol de praia não é para as férias.
O Bernardo, o seu filho de 4 anos, parece gostar de praia. Vai incentivá-lo à prática da modalidade?
Penso que não. Sou um pai
que não incentiva uma actividade só porque gostava
que ele o fizesse. Tenho muito presente uma imagem que cada vez
é mais recorrente: crianças que estão naquelas
escolinhas de futebol completamente infelizes. Se ele quiser ir
para o golfe, ou para o ténis, não vou tentar fazer
com que ele mude de ideias, isso é certo.








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