João Vitor Saraiva, conhecido por Madjer no meio desportivo, é considerado o melhor do mundo na modalidade que pratica, futebol de praia. Nesta entrevista revela um pouco da sua vida e das dificuldades que enfrentou para chegar ao topo, sobretudo quando teve um acidente de mota que o impediu de prosseguir o sonho do futebol.
Nasceu em Luanda há 30 anos e foi por um acaso que o seu caminho se cruzou com o de Carlos Xavier, que o convidou a treinar consigo no futebol de praia, modalidade que nem sequer conhecia muito bem. Pelo lado pessoa, Madjer teve a sua grande vitória aos 27 anos, quando foi pai de Bernardo.
Hoje, com 3 anos, o filho é o orgulho do jogador que, apesar de separado da mulher, com quem vive Bernardo, mantém com ele um contacto regular e acompanha passo a passo o seu crescimento. Quanto a amores, o futebolista prefere não se alonga muito mas confessa que ainda não voltou a encontrar a pessoa certa.
- Jogar na praia é uma motivação extra?
Madjer- O Futebol de praia é ainda uma coisa muito pura, sem grandes interesses comerciais, e tem um espírito só por si mais descontraído e atraente. As pessoas vão ali para se divertir e passar um bom momento a ver futebol.
- Receber o título de melhor do mundo foi um momento marcante?
- Sim. A FIFA começou a organizar os campeonatos mundiais em2005 e eu consegui ser sempre o melhor marcador e jogador, claro que isso é muito bom. Sinto-me muito bem e orgulhoso, claro.
- Acredita que o futebol de praia pode ganhar o mediatismo do futebol?
- Tem conseguido cada vez mais mediatismo... Tem sido uma grande luta que vai sendo vencida aos poucos. As coisas estão agora muito melhor.
- Mas ainda não é possível viver só do futebol de praia em Portugal...
- Não, porque apesar de eu ser profissional, a modalidade é ainda amadora e eu também não gosto de estar muito tempo parado. Além disso, penso muito no meu futuro e , sobretudo, no que tenho de garantir para o meu filho. Por isso, trabalho actualmente na área dos créditos.
- Fala muito do seu filho...Imagino que o momento em que foi pai tenha sido especialmente marcante. ..
- Muito mesmo. De início tive algum receio de que pudesse não ser um bom pai, mas hoje não me canso de dizer que ser pai é a melhor coisa do mundo. Se pudesse, estava 24 horas com o meu filho.
- Ele vive com a mãe?
- Vive com a mãe, mas temos todos uma relação muito boa, cordial e sem conflitos. Acho que tem de ser assim. Separações são coisas que acontecem na vida, temos de saber lidar com isso, pensar no nosso filho e dar-lhe a melhor educação possível.
- Reparei que ele já mostra alguma aptidão especial para o desporto. Influência do pai?
- Talvez, mas também muito da mãe, que é professora d educação física e fomenta muito isso. Com os pais que tem, ele só pode vir a ser um bom atleta.
- Costuma levá-lo aos seus jogos?
- Sim, já foi imensas vezes e as pessoas dizem que fica excitadíssimo quando me vê. Mesmo quando fica em casa e vê na televisão, fica logo colado ao ecrã.
- Têm uma relação muito próxima?
- Tem de ser, tenho de perceber o que ele sente e estar sempre por perto. Gosto de estar sempre por dentro e preocupar-me para garantir o melhor para o Bernardo. Fomento muito a minha ligação ao meu filho. Tento organizar programas com ele sempre que posso. E faço muitas festas com os meus sobrinhos, até porque acho importante que ele tenha também um forte e assíduo contacto com outras crianças.
- Pensa muito no futuro...
- Muito, tanto profissional como pessoalmente. Tanto com a minha carreira como com o meu filho e a minha vida pessoal. É a minha obrigação como pai...e tudo o que eu quero é garantir-lhe o melhor no futuro.

















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