Há anos a ditar tendências no Futebol de Praia, Madjer aceitou o desafio da GQ e interpretou a moda deste Inverno, entrevista a dois tempos, antes e depois do mundial, com o melhor jogador a materializar pontapés de bicicleta no terreno acidentado que é a praia. Este ano, Bola de Prata [segundo melhor do mundial].
Por: Áureo Soares. Fotografia de Sérgio Matos. Produção de Gabriela Pinheiro
Dias antes da
partida para Copacabana, no Brasil, onde a
selecção nacional disputou o Mundial de futebol de
praia, um Madjer optimista deixava claro que “temos a certeza
de que este é o nosso ano”.

No dia em que participou neste ensaio fotográfico para a GQ o craque do futebol de praia estava bem disposto, à vontade perante as objectivas, mas o seu pensamento era um só: ser campeão mundial.
A eliminação nos quartos-de-final frente ao Brasil depois de uma fase de grupos sofrida, trouxe de volta a Portugal um João Saraiva, o verdadeiro nome de Madjer, triste com o falhanço da selecção. Ainda que cair às mãos da equipa que viria a ganhar não seja um drama…
Mas, se é na praia que Madjer se sente à vontade, seja a jogar ou em férias – sim, é viciado na combinação entre sol e areia, embora a neve esteja no seu rol de preferências -, frente às câmaras da GQ, o nosso homem das areias, irmão de duas ex-manequins, mostrou que o seu QI de estilo é quase tão elevado quanto o desportivo.
Pré-Mundial
Que jogador de futebol 11 gostaria de ter a seu lado?
Não tenho grandes preferências sobre jogadores que gostava de ter a jogar comigo. Talvez um que se identificasse com o futebol de praia e que ajudasse a Selecção. Actualmente, os que lá estão ajudam. E a integração não é fácil… Temos tido sorte com os jogadores que integramos, que é o caso do Bilro, que tem qualidade mas não quer dizer que todos consigam. O pensamento da federação é criar jogadores de futebol de praia e não aproveitar jogadores de futebol de 11.
Acabou de tirar um curso de treinador. Esse é um passo que planeia dar?
Quero ficar ligado à modalidade, como treinador ou director. Felizmente, abriu-se esta porta da FIFA e, num leque tão grande treinadores e jogadores, tive a sorte de ser um dos escolhidos. Penso que ainda tenho muitos anos para jogar, mas quantos mais cursos tirar, além de ser bom para o meu currículo, mais possibilidades tenho de ficar ligado à modalidade quando terminar a carreira.
Quer dizer que, no futuro, poderá ser seleccionador?
Sim, mas não penso nisso a curto prazo.
Não estamos a “roubar” o lugar ao actual seleccionador…
Nem eu quero! [Risos] Ainda não penso nisso. Tenho muitos anos para jogar e estou concentrado na minha carreira enquanto jogador.
Já estabeleceu um limite de idade para se retirar?
Eu não, mas a FIFA impôs um limite de 45 anos. De qualquer forma, quando deixar de me sentir bem e de ser útil saio.

Qual é que é o segredo para o seu famoso pontapé de bicicleta?
Acho que, quando fazemos o que gostamos e quando nos empenhamos, as coisas surgem com naturalidade. Contudo, temos deter qualquer coisa a mais do que os outros para nos diferenciarmos. Já joguei futebol 11 e não consegui vingar. Entretanto tive um convite para jogar futebol de praia, e vi que “há males que vêem por bem”.
E fez-se uma espécie de Ronaldinho do futebol praia.
[Risos] Madjer do futebol de praia.
Lembra-se bem do Madjer do FCP? A final de Viena já goi há vintes anos...
Essa é a única lembrança que tenho. Aquele golo de calcanhar... Foi aí que surgiu a minha alcunha. Os colegas que jogavam futebol comigo na rua diziam que eu era parecido com ele em termos fisícos e passaram a chamar-me Madjer.
E chegou a imitar o golo do calcanhar?
Cheguei, mas não é muito o meu forte. [Risos]
Qual a sua relação com a moda? Segue as tendências?
Gosto de saber o que se passa apesar de não ser fanático. As minhas duas irmãs mais velhas enveredaram pela moda e, quando me viam vestir, davam-me dicas. Isso puxou por mim, mas não sou fanático.
E tem muitas fãs?
Para já, tenho mais do que pensava. O meu blogue (http://madjer.bloguedesporto.com ) permitiu-me ter noção da quantidade de pessoas interessadas no meu percurso profissional.
Pós-Mundial
O que correu mal no Mundial?
Creio que o crescimento das outras selecções, algo com o que contávamos, mas não de forma tão evidente e rápida... Mas acho que honrámos a camisola.
Mas perdemos, e agora?
Agora é tempo de levantar a cabeça e pensar no próximo Mundial, em Marselha, no próximo verão. Temos pouco tempo para nos prepararmos e não estamos apurados...
Mas acabou por trazer o prémio de segundo melhor jogador. Como recebeu a notícia?
Com surpresa,. No meio de tanta coisa má que nos aconteceu no Brasil, veio trazer algo de bom para Portugal. Como não foi possível trazer a taça, dedico este prémio a todos os portugueses.
Teve uma lesão, num lance com Buru, e acabou por perder o primeiro lugar precisamente para ele. Foi uma dupla "vingança"?...
[Risos.] Sim, tive uma fissura no osso escafóide. De qualquer forma, acho que o Buru esteve muito bem neste campeonato. Ele telefonou-me a dar os parabéns porque, quando fui chamado ao pódio para receber o prémio , já estava em Portugal [Risos.]

Marcou cinco golos frente ao Brasil e todos elogiaram a sua prestação. Até o seleccionador brasileiro... Sentiu-se a remar contra a maré?
Foi complicado. Os jogos com o Brasil são sempre resolvidos nos detalhes. Errámos bastante, tanto na defesa como no atque, o que não é normal. Como ganha quem aproveita melhor os erros do adversário... Para mim, o amargo de boca é ainda maior porque fiz uma das minhas melhores exibições em mundiais. A viagem de volta foi das que mais nos custou fazer até hoje. Estamos habituados a disputar pelo menos as meias-finais. Sofremos bastante...








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