Na praia com MadJer
Ao longo da sua carreira desportiva no Futebol de Praia foi considerado o melhor jogador do Mundo em 2003, 2005, 2006 e Bola de Prata em 2007.
Galardoado, no passado dia 8 de Fevereiro, com o Prémio Desporto, na primeira Gala Porto´s África 2008 é na areia praia que se sente feliz e enérgico, como se nunca tivesse saído dali.
Tribuna de Loures Quais são as suas ambições, foi o melhor jogador do mundo, o que significou para si como alicerce do Futebol de Praia português?
Madjer Esse sucesso foi o resultado de 11 anos de trabalho, em que todos os que estiveram no projecto desde o inicio e que estão neste momento a desenvolve-lo acreditam nele. Houve pessoas que achavam que o projecto do Futebol de Praia era somente um passatempo de férias de ex-jogadores de futebol de 11. Nós com muito sacrifício e muito empenho, num país cheio de praias, acreditámos que tínhamos jogadores de muito valor. Acho que devemos aproveitar ao máximo os recursos naturais do país dar reconhecimento à modalidade. Costumo agradecer a todos os meus colegas e treinadores, porque, ser o melhor do mundo, significa que não estamos sozinhos, mas que temos um excelente trabalho de equipa.
TL Sempre foi considerado um elemento essencial da equipa, na qual se destacou, consegue ver-se nessa perspectiva?
M Considero que sou um jogador fundamental na equipa, como outros são. Apesar de saber que tenho dotes mais apurados, que outros jogadores não têm. Apesar disso temos uma equipa muito equilibrada e uma situação compensa a outra. Ultimamente tenho-me destacado, noutros anos foi o Hernâni e o Alan, portanto o que existe é espírito de grupo e quando isso acontece, cria-se uma inter-ajuda que é frequente nesta selecção. Nós somos uma família que criou o Futebol de Praia. Conhecemos todos os pormenores uns dos outros, o que torna tudo mais fácil.
TL A equipa tem vindo a evoluir, abandonando a ideia do amadorismo, como está a equipa neste momento?
M Existe neste momento uma preocupação da nossa parte, a qual fizemos chegar junto da Federação, que é o facto de não existirem atletas para dar continuidade à modalidade. Isto só acontece porque, o início não se deu como noutras modalidades, que começam pelas escolas e pela formação. Nós, os mais velhos, não queremos que o Futebol de Praia desapareça, agora que pertencemos à Federação e à FIFA. A actual preocupação é renovar e encontrar novos valores que dêem continuidade ao nosso trabalho. Temos tido agradáveis surpresas, até jogadores que jogavam há anos como amadores que, estão neste momento a integrar a equipa.
TL De que forma é feita essa selecção, quais os critérios?
M Actualmente a Federação faz estágios em todo o país, o que não acontecia anteriormente, por falta de verbas. Esse facto levava, a que a maior parte dos jogadores fossem da zona de Lisboa. Agora existe uma dinamização por parte da Federação de forma a existirem jogadores de todo o país. Não faz sentido uma selecção ser composta por pessoas de uma só zona. Os jogadores são encontrados através de estágios de observação, que duram cinco dias, já encontramos algumas novas apostas. Se num universo de 100 jogadores aparecerem cinco já é muito bom e na realidade têm aparecido mais.
TL Os jogadores mais velhos são ouvidos nas decisões?
M Sim, os nossos treinadores têm ouvido a nossa opinião, até porque nós temos a obrigação de os integrar e mostrar que numa selecção a realidade é diferente, da de uma equipa de amadores. Há sempre a preocupação de transmitirmos a nossa opinião, por uma questão de continuidade.
TL Sempre jogou, começou pelo Futebol 11, e depois passou para a areia. Considera que tem mesmo alma é para o Futebol de Praia?
M Achava que não tinha vocação. Quando o Carlos Xavier me fez o convite, uma pessoa que conheço há muitos anos, por quem nutro imenso carinho e que mais tarde veio a ser meu colega, fiquei renitente. Não me imaginava a jogar Futebol de Praia, habitualmente jogava na areia molhada, jogar na areia seca é muito difícil e desgastante. Acabei por aceitar e adorei. Hoje em dia considero que sou daqueles jogadores que fui talhado para o Futebol de Praia.
TL Em relação ao futuro da equipa, quais as suas perspectivas para o Mundial em França?
M É difícil saber, cada ano que passa é mais complicado, pois as selecções estão a trabalhar. Antigamente treinavam pouco e somente existiam aquelas de topo que trabalhavam quase profissionalmente; as outras selecções juntavam jogadores para irem aos torneios. Hoje em dia isso não acontece, todas fazem um trabalho sério e profissional. Os mais atentos ao futebol de praia comentam”agora já temos a Rússia e a Polónia”, quando analisamos o histórico desportivo desses países, nem sequer têm praia nem expressão nesses desportos. Nesses países foram criadas condições para jogarem profissionalmente e já deram provas disso em algumas competições.
TL Neste momento existem mais meios e pessoas a apostar na selecção?
M Considero que neste momento a estrutura está montada, a Federação agarrou no nosso trabalho e têm-nos dado excelentes condições. Sabemos que este desporto é um pouco sazonal e temos de jogar um bocadinho com os patrocínios como suporte. Mas é a própria Federação que os tem, portanto estamos no bom caminho.
TL Teve formação como treinador, sente-se na obrigação de transmitir o seu saber aos mais pequenos e daí partir para a criação de uma escola?
M Sinto-me que tenho que desenvolver o Futebol de Praia em Portugal. Sei que não somos um país fácil para apostar nestas iniciativas. Quando me envolvo nos projectos é para eles se concretizarem, estou a apostar na escola, em conjunto com o Zé Miguel e constituímos a MZM. Não quero que o projecto arranque a meio gás para não perder a credibilidade do mesmo. Idealizamos ter um projecto sólido, daí o tal período de tempo que necessitamos para estruturar tudo o melhor possível.
TL Qual a zona do país seleccionada para a implementação da escola?
M Nós queremos ter uma sede em Lisboa, em princípio será em Loures. Mais tarde queremos chegar a outros pontos do país com a formação de novos talentos. O que não significa que não vamos abrir outros núcleos no futuro. O projecto está para breve, mas falta o aval das autarquias.
TL Sei que tem uma meta para a sua carreira a nível etário. Sente que neste momento está no seu melhor?
M Sinto, que ser o melhor do mundo há quatro cinco anos a trás era mais fácil, aliás a luta estendia-se a quatro cinco jogadores, porque as outras selecções não tinham tanta expressão. Quando se é considerado o melhor do mundo num universo tão grande, acho que isso só demonstra, que o trabalho continua a ser bem feito e que houve uma evolução. Graças a Deus tenho conseguido manter o meu lugar.
TL Estão agora mais preparados para competir com o Brasil, sentem-se mais seguros?
M Acho que habituamos mal as pessoas, parece que a Selecção do Brasil são o “bicho papão”. Hoje encaro o Brasil de igual para igual, o que não acontecia há uns anos atrás. Tanto nós como outras selecções, como é o exemplo da Rússia estamos de igual para igual em relação aos melhores.
TL Sabemos que gosta de ajudar outras equipas, troca ideias e ajuda no fundo a promovê-las. Faz parte da sua personalidade ajudar os outros?
M Eu sinto-me na obrigação de ajudar o Futebol de Praia e gosto de auxiliar para que as equipas fiquem mais niveladas. É isso que tento fazer, por vezes troco ideias com os seus treinadores. Já estive em duas formações no estrangeiro para ajudar outros jogadores, através do meu conhecimento. Existem pessoas que estranham essa atitude, pois essa equipa poderá vir a ser minha adversária.
TL O seu pontapé de bicicleta é um segredo ou saiu bem, e daí para a frente foi só executar?
M Não considero, que exista segredo. Essas aptidões nascem com as pessoas, nasci com esse dom e a partir daí foi só praticar. Quando iniciei a minha carreira no Futebol de Praia, apercebi-me que tinha jeito para o pontapé de bicicleta, mas não tem grande mistério.
TL Qual o seu maior sonho como jogador e como pessoa?
M Em termos desportivos é ser campeão do Mundo, o que está muito perto de realizar. O outro pode ser a minha “escolinha”, a sua concretização e sucesso.
por Fátima Rodrigues
in Jornal A Tribuna

BEIJOS.







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