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O melhor jogador do mundo saiu das areias de Carcavelos  Inserido Wednesday 05 March 2008 15:50

Blogue de madjer : Madjer- O Blog Oficial, O melhor jogador do mundo saiu das areias de Carcavelos

Na praia com MadJer

 

Ao longo da sua carreira desportiva no Futebol de Praia foi considerado o melhor jogador do Mundo em 2003, 2005, 2006 e Bola de Prata em 2007.

Galardoado, no passado dia 8 de Fevereiro, com o Prémio Desporto, na primeira Gala Porto´s África 2008 é na areia praia que se sente feliz e enérgico, como se nunca tivesse saído dali.

 

 

Tribuna de Loures Quais são as suas ambições, foi o melhor jogador do mundo, o que significou para si como alicerce do Futebol de Praia português?

 

Madjer Esse sucesso foi o resultado de 11 anos de trabalho, em que todos os que estiveram no projecto desde o inicio e que estão neste momento a desenvolve-lo acreditam nele. Houve pessoas que achavam que o projecto do Futebol de Praia era somente um passatempo de férias de ex-jogadores de futebol de 11. Nós com muito sacrifício e muito empenho, num país cheio de praias, acreditámos que tínhamos jogadores de muito valor. Acho que devemos aproveitar ao máximo os recursos naturais do país dar reconhecimento à modalidade. Costumo agradecer a todos os meus colegas e treinadores, porque, ser o melhor do mundo, significa que não estamos sozinhos, mas que temos um excelente trabalho de equipa.

 

TL Sempre foi considerado um elemento essencial da equipa, na qual se destacou, consegue ver-se nessa perspectiva?

 

M Considero que sou um jogador fundamental na equipa, como outros são. Apesar de saber que tenho dotes mais apurados, que outros jogadores não têm. Apesar disso temos uma equipa muito equilibrada e uma situação compensa a outra. Ultimamente tenho-me destacado, noutros anos foi o Hernâni e o Alan, portanto o que existe é espírito de grupo e quando isso acontece, cria-se uma inter-ajuda que é frequente nesta selecção. Nós somos uma família que criou o Futebol de Praia. Conhecemos todos os pormenores uns dos outros, o que torna tudo mais fácil.

 

TL A equipa tem vindo a evoluir, abandonando a ideia do amadorismo, como está a equipa neste momento?

 

M Existe neste momento uma preocupação da nossa parte, a qual fizemos chegar junto da Federação, que é o facto de não existirem atletas para dar continuidade à modalidade. Isto só acontece porque, o início não se deu como noutras modalidades, que começam pelas escolas e pela formação. Nós, os mais velhos, não queremos que o Futebol de Praia desapareça, agora que pertencemos à Federação e à FIFA. A actual preocupação é renovar e encontrar novos valores que dêem continuidade ao nosso trabalho. Temos tido agradáveis surpresas, até jogadores que jogavam há anos como amadores que, estão neste momento a integrar a equipa.

 

TL De que forma é feita essa selecção, quais os critérios?

 

M Actualmente a Federação faz estágios em todo o país, o que não acontecia anteriormente, por falta de verbas. Esse facto levava, a que a maior parte dos jogadores fossem da zona de Lisboa. Agora existe uma dinamização por parte da Federação de forma a existirem jogadores de todo o país. Não faz sentido uma selecção ser composta por pessoas de uma só zona. Os jogadores são encontrados através de estágios de observação, que duram cinco dias, já encontramos algumas novas apostas. Se num universo de 100 jogadores aparecerem cinco já é muito bom e na realidade têm aparecido mais.

 

TL Os jogadores mais velhos são ouvidos nas decisões?

 

M Sim, os nossos treinadores têm ouvido a nossa opinião, até porque nós temos a obrigação de os integrar e mostrar que numa selecção a realidade é diferente, da de uma equipa de amadores. Há sempre a preocupação de transmitirmos a nossa opinião, por uma questão de continuidade.

 

TL Sempre jogou, começou pelo Futebol 11, e depois passou para a areia. Considera que tem mesmo alma é para o Futebol de Praia?

 

M Achava que não tinha vocação. Quando o Carlos Xavier me fez o convite, uma pessoa que conheço há muitos anos, por quem nutro imenso carinho e que mais tarde veio a ser meu colega, fiquei renitente. Não me imaginava a jogar Futebol de Praia, habitualmente jogava na areia molhada, jogar na areia seca é muito difícil e desgastante. Acabei por aceitar e adorei. Hoje em dia considero que sou daqueles jogadores que fui talhado para o Futebol de Praia.

 

TL Em relação ao futuro da equipa, quais as suas perspectivas para o Mundial em França?

 

M É difícil saber, cada ano que passa é mais complicado, pois as selecções estão a trabalhar. Antigamente treinavam pouco e somente existiam aquelas de topo que trabalhavam quase profissionalmente; as outras selecções juntavam jogadores para irem aos torneios. Hoje em dia isso não acontece, todas fazem um trabalho sério e profissional. Os mais atentos ao futebol de praia comentam”agora já temos a Rússia e a Polónia”, quando analisamos o histórico desportivo desses países, nem sequer têm praia nem expressão nesses desportos. Nesses países foram criadas condições para jogarem profissionalmente e já deram provas disso em algumas competições.

 

TL Neste momento existem mais meios e pessoas a apostar na selecção?

 

M Considero que neste momento a estrutura está montada, a Federação agarrou no nosso trabalho e têm-nos dado excelentes condições. Sabemos que este desporto é um pouco sazonal e temos de jogar um bocadinho com os patrocínios como suporte. Mas é a própria Federação que os tem, portanto estamos no bom caminho.

 

TL Teve formação como treinador, sente-se na obrigação de transmitir o seu saber aos mais pequenos e daí partir para a criação de uma escola?

 

M Sinto-me que tenho que desenvolver o Futebol de Praia em Portugal. Sei que não somos um país fácil para apostar nestas iniciativas. Quando me envolvo nos projectos é para eles se concretizarem, estou a apostar na escola, em conjunto com o Zé Miguel e constituímos a MZM. Não quero que o projecto arranque a meio gás para não perder a credibilidade do mesmo. Idealizamos ter um projecto sólido, daí o tal período de tempo que necessitamos para estruturar tudo o melhor possível.

 

TL Qual a zona do país seleccionada para a implementação da escola?

 

M Nós queremos ter uma sede em Lisboa, em princípio será em Loures. Mais tarde queremos chegar a outros pontos do país com a formação de novos talentos. O que não significa que não vamos abrir outros núcleos no futuro. O projecto está para breve, mas falta o aval das autarquias.

 

TL Sei que tem uma meta para a sua carreira a nível etário. Sente que neste momento está no seu melhor?

 

M Sinto, que ser o melhor do mundo há quatro cinco anos a trás era mais fácil, aliás a luta estendia-se a quatro cinco jogadores, porque as outras selecções não tinham tanta expressão. Quando se é considerado o melhor do mundo num universo tão grande, acho que isso só demonstra, que o trabalho continua a ser bem feito e que houve uma evolução. Graças a Deus tenho conseguido manter o meu lugar.

 

TL Estão agora mais preparados para competir com o Brasil, sentem-se mais seguros?

 

M Acho que habituamos mal as pessoas, parece que a Selecção do Brasil são o “bicho papão”. Hoje encaro o Brasil de igual para igual, o que não acontecia há uns anos atrás. Tanto nós como outras selecções, como é o exemplo da Rússia estamos de igual para igual em relação aos melhores.

 

TL Sabemos que gosta de ajudar outras equipas, troca ideias e ajuda no fundo a promovê-las. Faz parte da sua personalidade ajudar os outros?

 

 M Eu sinto-me na obrigação de ajudar o Futebol de Praia e gosto de auxiliar para que as equipas fiquem mais niveladas. É isso que tento fazer, por vezes troco ideias com os seus treinadores. Já estive em duas formações no estrangeiro para ajudar outros jogadores, através do meu conhecimento. Existem pessoas que estranham essa atitude, pois essa equipa poderá vir a ser minha adversária.

 

TL O seu pontapé de bicicleta é um segredo ou saiu bem, e daí para a frente foi só executar?

 

M Não considero, que exista segredo. Essas aptidões nascem com as pessoas, nasci com esse dom e a partir daí foi só praticar. Quando iniciei a minha carreira no Futebol de Praia, apercebi-me que tinha jeito para o pontapé de bicicleta, mas não tem grande mistério.

 

TL Qual o seu maior sonho como jogador e como pessoa?

 

M Em termos desportivos é ser campeão do Mundo, o que está muito perto de realizar. O outro pode ser a minha “escolinha”, a sua concretização e sucesso.

 

 

por Fátima Rodrigues

in Jornal A Tribuna

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Moda de Prata - Reportagem GQ  Inserido Wednesday 30 January 2008 16:04

Blogue de madjer : Madjer- O Blog Oficial, Moda de Prata - Reportagem GQ

Há anos a ditar tendências no Futebol de Praia, Madjer aceitou o desafio da GQ e interpretou a moda deste Inverno, entrevista a dois tempos, antes e depois do mundial, com o melhor jogador a materializar pontapés de bicicleta no terreno acidentado que é a praia. Este ano, Bola de Prata [segundo melhor do mundial].

 

Por: Áureo Soares. Fotografia de Sérgio Matos. Produção de Gabriela Pinheiro

 


Dias antes da partida para Copacabana, no Brasil, onde a selecção nacional disputou o Mundial de futebol de praia, um Madjer optimista deixava claro que “temos a certeza de que este é o nosso ano”.

 

 

No dia em que participou neste ensaio fotográfico para a GQ o craque do futebol de praia estava bem disposto, à vontade perante as objectivas, mas o seu pensamento era um só: ser campeão mundial.

A eliminação nos quartos-de-final frente ao Brasil depois de uma fase de grupos sofrida, trouxe de volta a Portugal um João Saraiva, o verdadeiro nome de Madjer, triste com o falhanço da selecção. Ainda que cair às mãos da equipa que viria a ganhar não seja um drama…

Mas, se é na praia que Madjer se sente à vontade, seja a jogar ou em férias – sim, é viciado na combinação entre sol e areia, embora a neve esteja no seu rol de preferências -, frente às câmaras da GQ, o nosso homem das areias, irmão de duas ex-manequins, mostrou que o seu QI de estilo é quase tão elevado quanto o desportivo.

 

Pré-Mundial

Que jogador de futebol 11 gostaria de ter a seu lado?

Não tenho grandes preferências sobre jogadores que gostava de ter a jogar comigo. Talvez um que se identificasse com o futebol de praia e que ajudasse a Selecção. Actualmente, os que lá estão ajudam. E a integração não é fácil… Temos tido sorte com os jogadores que integramos, que é o caso do Bilro, que tem qualidade mas não quer dizer que todos consigam. O pensamento da federação é criar jogadores de futebol de praia e não aproveitar jogadores de futebol de 11.

Acabou de tirar um curso de treinador. Esse é um passo que planeia dar?

Quero ficar ligado à modalidade, como treinador ou director. Felizmente, abriu-se esta porta da FIFA e, num leque tão grande treinadores e jogadores, tive a sorte de ser um dos escolhidos. Penso que ainda tenho muitos anos para jogar, mas quantos mais cursos tirar, além de ser bom para o meu currículo, mais possibilidades tenho de ficar ligado à modalidade quando terminar a carreira.

Quer dizer que, no futuro, poderá ser seleccionador?

Sim, mas não penso nisso a curto prazo.

Não estamos a “roubar” o lugar ao actual seleccionador…

Nem eu quero! [Risos] Ainda não penso nisso. Tenho muitos anos para jogar e estou concentrado na minha carreira enquanto jogador.

Já estabeleceu um limite de idade para se retirar?

Eu não, mas a FIFA impôs um limite de 45 anos. De qualquer forma, quando deixar de me sentir bem e de ser útil saio.

 

 

Qual é que é o segredo para o seu famoso pontapé de bicicleta?

Acho que, quando fazemos o que gostamos e quando nos empenhamos, as coisas surgem com naturalidade. Contudo, temos deter qualquer coisa a mais do que os outros para nos diferenciarmos. Já joguei futebol 11 e não consegui vingar. Entretanto tive um convite para jogar futebol de praia, e vi que “há males que vêem por bem”.

E fez-se uma espécie de Ronaldinho do futebol praia.

[Risos] Madjer do futebol de praia.

Lembra-se bem do Madjer do FCP? A final de Viena já goi há vintes anos...

Essa é a única lembrança que tenho. Aquele golo de calcanhar... Foi aí que surgiu a minha alcunha. Os colegas que jogavam futebol comigo na rua diziam que eu era parecido com ele em termos fisícos e passaram a chamar-me Madjer.

E chegou a imitar o golo do calcanhar?

Cheguei, mas não é muito o meu forte. [Risos]

Qual a sua relação com a moda? Segue as tendências? 

Gosto de saber o que se passa apesar de não ser fanático. As minhas duas irmãs mais velhas enveredaram pela moda e, quando me viam vestir, davam-me dicas. Isso puxou por mim, mas não sou fanático.

E tem muitas fãs? 

Para já, tenho mais do que pensava. O meu blogue (http://madjer.bloguedesporto.com ) permitiu-me ter noção da quantidade de pessoas interessadas no meu percurso profissional.

 

 

 

Pós-Mundial

O que correu mal no Mundial? 

Creio que o crescimento das outras selecções, algo com o que contávamos, mas não de forma tão evidente e rápida... Mas acho que honrámos a camisola.

Mas perdemos, e agora?

Agora é tempo de levantar a cabeça e pensar no próximo Mundial, em Marselha, no próximo verão. Temos pouco tempo para nos prepararmos e não estamos apurados...

Mas acabou por trazer o prémio de segundo melhor jogador. Como recebeu a notícia?

Com  surpresa,. No meio de tanta coisa má que nos aconteceu no Brasil, veio trazer algo de bom para Portugal. Como não foi possível trazer a taça, dedico este prémio a todos os portugueses.

Teve uma lesão, num lance com Buru, e acabou por perder o primeiro lugar precisamente para ele. Foi uma dupla "vingança"?...

[Risos.] Sim, tive uma fissura no osso escafóide. De qualquer forma, acho que o Buru esteve muito bem neste campeonato. Ele telefonou-me a dar os parabéns porque, quando fui chamado ao pódio para receber o prémio , já estava em Portugal [Risos.]

 

 

Marcou cinco golos frente ao Brasil e todos elogiaram a sua prestação. Até o seleccionador brasileiro... Sentiu-se a remar contra a maré? 

Foi complicado. Os jogos com o Brasil são sempre resolvidos nos detalhes. Errámos bastante, tanto na defesa como no atque, o que não é normal. Como ganha quem aproveita melhor os erros do adversário... Para mim, o amargo de boca é ainda maior porque fiz uma das minhas melhores exibições em mundiais. A viagem de volta foi das que mais nos custou fazer até hoje. Estamos habituados a disputar pelo menos as meias-finais. Sofremos bastante...

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Reportagem VIP - Janeiro de 2008  Inserido Monday 28 January 2008 18:29

"O MEU DESEJO É QUE A SELECÇÃO NACIONAL SEJA CAMPEÃ DO MUNDO"

Já foi considerado o melhor do Mundo em futebol de praia e, este ano, ganhou a Bola de Prata pela extraordinária prestação no Mundial da modalidade. Aos 30 anos, Madjer soma muitas vitórias profissionais, mas também pessoais.  A verdade é que o atleta tem-se também esmerado no seu papel enquanto pai de Bernardo. 

 

 

VIP - Que balanço faz, depois deste Campeonato do Mundo de Futebol de Praia?

Madjer -  Este ano tínhamos como objectivo sermos campeões e não fomos. No entanto, acho que o futebol de praia está a evoluir e já não existe um fosso tão grande entre as selecções de topo e as mais fracas.

Que sensação lhe provoca o facto de saber que é o melhor do mundo em futebol de praia?

Nunca imaginei que chegasse a melhor do mundo. É um orgulho muito grande. Ao fim de 11 anos é que estou a conseguir tirar proveito do que faço.

Tem sido uma batalha fazer reconhecer em Portugal este desporto. Isso entristece-o?

O futebol de 11 é o desporto-rei e o erro das outras modalidades está em criar rivalidades desnecessárias. Todas as modalidades têm espaço para existir. A tal batalha não foi contra isso, mas contra os que diziam que o futebol de praia era um pasatempo. Quando começámos a trazer os títulos é que começaram a ver que não era uma brincadeira.

O que acha que ainda falta para que o país reconheça algumas modalidades?

O português é um povo exigente. Se há uma modalidade que ganha, a partir daí tem que ganhar sempre. As pessoas têm que acreditar mais nos atletas.

Muitos desportistas queixam-se de falta de infra-estruturas. Acha que na sua modalidade também existem lacunas?

Devemos trabalhar com o que temos e não nos lamentarmos. O clima será uma das poucas lacunas que existem no futebol de praia. Em termos de apoios para treinar estamos bem.

Quando vai chegar o dia em que Portugal conseguirá bater o Brasil na  areia?

 O Brasil tem um leque mais alargado de jogadores e daí terem mais qualidade. Mas isso não quer dizer que não comecem a vir mais jogadores em 2008 e não possamos entrar em pé de igualdade com o Brasil

Qual foi a maior alegria que teve no desporto?

Ter sido o melhor jogador do Mundo. O facto de termos sido campeões do Mundo (2001) foi também algo que me marcou. 

E na sua vida? 

O nascimento do Bernardo. Quando ele nasceu a minha vida transformou-se. Somos obrigados a amadurecer rapidamente.

Como é enquanto pai?

Sou um pai-galinha. Estou sempre atento aos movimentos dele.  

 

 

Como é a vossa relação?

É uma relação muito cumplíce. Como estou separado não posso estar sempre com ele e todos os momentos são aproveitados ao máximo.

Desejos para 2008?

O meu desejo é que a Selecção Nacional seja campeã do mundo para que a modalidade leve o tal empurrão que falta.  

 

In VIP

Texto: Cátia Matos Fotos: Bruno Peres Produção: Manuela Costa Cabelos e Maquilhagem:Agradecimentos: Loja das Meias (Amoreiras) Ana Coelho com produtos Maybelline

 

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A praia como escritório - entrevista VIP  Inserido Tuesday 09 October 2007 12:51

Blogue de madjer : Madjer- O Blog Oficial, A praia como escritório - entrevista VIP

 

VIP - O futebol de praia é um desporto recente, mas o Madjer já arrecadou dois prémios individuais. Que percurso é que teve para aqui chegar?

Madjer -  Comecei no futebol de 11, nas camadas jovens do Estoril, mas um acidente de mota, aos 17 aqnos, fez-me perder o "comboio" e acabei por deixar a modalidade de lado. Um convite do Carlos Xavier, que eu já conhecia há imenso tempo, fez-me entrar no futebol de praia e passei a integrar este projecto. 

Um projecto que já deu inclusive frutos junto da FIFA. Foi difícil criar uma modalidade nova?

Acho que ninguém imagina o que lutámos e sofremos para fazer do futebol de praia uma modalidade respeitada. Foi uma grande vitória, dos mais antigos, como eu, o Alan, o Hêrnani e o Zé Miguel.

Segundo o melhor jogador do mundo, consegue viver apenas do futebol de praia?

Agora  tem que dar. Não faço mais nada além de me concentrar na modalidade. Já estive ligado a vários sectores de actividade, o sector dos créditos foi o último mas o reconhecimento da Federação obrigou-me a virar a 100 por cento para o futebol de praia. 

Jogar na praia é uma actividade sazonal. Como é que dá  a volta à questão?

 Temos que tirar partido do estatuto que temos. Felizmente têm surgido vários convites de campeonatos de outros países, inclusive para jogar futevólei, e graças a isso vamos tirando proveito da modalidade.

Há uns tempos tentou o regresso ao futebol de . Foi uma aposta fracassada?

 Não. Fui ao Vitória de Guimarães treinar à experiência e tenho muito a agradecer-lhes, porque me deram uma oportunidade para voltar a tentar. Mas a verdade é só uma: se estivesse no futebol de 11 não tinha esta notoriedade. Nem fazia da praia, um local onde tanto eu como a maioria das pessoas gosta de estar, o meu escritório.

Não deve ser fácil jogar na areia solta com temperaturas tão elevadas....

E não é. Também tem contras como treinar na praia, todos os dias, no pico do Inverno. Não é agradável confesso.

Quando tem férias, como é que faz? Foge para a neve?

Também é uma das minhas paixões. Mas por vezes a época acaba e ainda dá para fazer praia com os amigos.

Costuma desafiá-lo para uma "futebolada"?

Recuso-me a jogar. Futebol de praia não é para as férias.  

O Bernardo, o seu filho de 4 anos, parece gostar de praia. Vai incentivá-lo à prática da modalidade?

Penso que não. Sou um pai que não incentiva uma actividade só porque gostava que ele o fizesse. Tenho muito presente uma imagem que cada vez é mais recorrente: crianças que estão naquelas escolinhas de futebol completamente infelizes. Se ele quiser ir para o golfe, ou para o ténis, não vou tentar fazer com que ele mude de ideias, isso é certo.

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Entrevista por Rodrigo Freixo  Inserido Friday 27 April 2007 15:07

Blogue de madjer : Madjer- O Blog Oficial, Entrevista por Rodrigo Freixo

João Vitor Saraiva, conhecido por Madjer no meio desportivo, é considerado o melhor do mundo na modalidade que pratica, futebol de praia.  Nesta entrevista revela um pouco da sua vida e das dificuldades que enfrentou para chegar ao topo, sobretudo quando teve um acidente de mota que o impediu de prosseguir o sonho do futebol.

Nasceu em Luanda há 30 anos e foi por um acaso que o seu caminho se cruzou com o de Carlos Xavier, que o convidou a treinar consigo no futebol de praia, modalidade que nem sequer conhecia muito bem. Pelo lado pessoa, Madjer teve a sua grande vitória aos 27 anos, quando foi pai de Bernardo.

Hoje, com 3 anos, o filho é o orgulho do jogador que, apesar de separado da mulher, com quem vive Bernardo, mantém com  ele um contacto regular e acompanha passo a passo o seu crescimento. Quanto a amores, o futebolista prefere não se alonga muito mas confessa que ainda não voltou a encontrar a pessoa certa.  

-  Jogar na praia  é uma motivação extra?

Madjer- O Futebol de praia é ainda uma coisa muito pura, sem grandes interesses comerciais, e tem um espírito só por si mais descontraído e atraente. As pessoas vão ali para se divertir e passar um bom momento a ver futebol.

- Receber o título de melhor do mundo foi um momento marcante?

-  Sim. A FIFA começou a organizar os campeonatos mundiais em2005 e eu consegui ser sempre  o melhor marcador e jogador, claro que isso é muito bom. Sinto-me muito bem e orgulhoso, claro.

- Acredita que o futebol de praia pode ganhar o mediatismo do futebol?

-  Tem conseguido cada vez mais mediatismo... Tem sido uma grande luta que vai sendo vencida aos poucos. As coisas estão agora muito melhor.

- Mas ainda não é possível viver só do futebol de praia em Portugal...

-  Não, porque apesar de eu ser profissional, a modalidade é ainda amadora e eu também não gosto de estar muito tempo parado. Além disso, penso muito no meu futuro e , sobretudo, no que tenho de garantir para o meu filho. Por isso, trabalho actualmente na área dos créditos. 

- Fala muito do seu filho...Imagino que o momento em que foi pai tenha sido especialmente marcante. ..

-  Muito mesmo. De início tive algum receio de que pudesse não ser um bom pai, mas hoje não me canso de dizer que ser pai é a melhor coisa do mundo. Se pudesse, estava 24 horas com o meu filho. 

- Ele vive com a mãe?

- Vive com a mãe, mas temos  todos uma relação muito boa, cordial e sem conflitos. Acho que tem de ser assim. Separações são coisas que acontecem na vida, temos de saber lidar com isso, pensar no nosso filho e dar-lhe a melhor educação possível. 

- Reparei que ele já mostra alguma aptidão especial para o desporto. Influência do pai?

-  Talvez, mas também muito da mãe, que é professora d educação física e fomenta muito isso. Com os pais que tem, ele só pode vir a ser um bom atleta.

- Costuma levá-lo aos seus jogos?

-  Sim, já foi imensas vezes e as pessoas dizem que fica excitadíssimo quando me vê. Mesmo quando fica em casa e vê na televisão, fica logo colado ao ecrã.

- Têm uma relação muito próxima?

-  Tem de ser, tenho de perceber o que ele sente e estar sempre por perto. Gosto de estar sempre por dentro e preocupar-me para garantir o melhor para o Bernardo. Fomento muito a minha ligação ao meu filho. Tento organizar programas com ele sempre que posso. E faço muitas festas com os meus sobrinhos, até porque acho importante que ele tenha também um forte e assíduo contacto com outras crianças.

- Pensa muito no futuro...

-  Muito, tanto profissional como pessoalmente. Tanto com a minha carreira como com o meu filho e a minha vida pessoal. É a minha obrigação como pai...e tudo o que eu quero é garantir-lhe o melhor no futuro. 

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